Ela foi colocando suas roupas meio brutalmente na mochila surrada, enquanto ele tentava achar palavras pra argumentar contra a sua partida.
- Você não precisa ir - ele começou, mas foi interrompido antes de poder continuar.
- Ah, eu preciso! Se eu ficar aqui, mais um minuto que seja, vou acabar falando algo, e depois vou me arrepender de ter falado, mas aí eu já vou ter falado, e o estrago terá sido feito, e eu nunca mais serei a mesma, e nem você, e nossas vidas vão mudar, e vai ser o fim.
Ele teve vontade de sorrir. Era incrível como ela falava quando nervosa. Sem pausa, sem nem respirar, só falando, deixando o desespero tomar conta dela e de seus pensamentos. E ele quase sorriu, pois ela ficava mesmo linda falando pelos cotovelos, mas não conseguiu, porque daquela vez ela tentava explicar porque estava indo embora. E ela não podia ir embora, simplesmente não podia.
- Não, não vai. Por favor. Fica aqui, eu vou. Se tu quiser eu saio, eu voo, eu sumo, eu morro, pelo tempo que tu quiser, seja uma semana, um mês, um ano, ou…
- Pra sempre? Não, eu não te quero longe pra sempre. Eu não te quero longe nem por um segundo, entende isso, meu amor. É que agora não dá. Eu preciso sair. Eu preciso brincar que você nunca existiu, pra ver como é que eu sou quando você não tá.
- E dá? Como se brinca de esquecer? E se não for só brincadeira? E se ficar sério? E se você não quiser mais voltar? Como eu fico?
- Você vai ficar bem.
- Não vou…
- Vai sim, amor. Vai sim. E mais que bem, você vai ficar bem aqui.
- Não, não quero. Fica você. Eu arrumo as malas e vou, hoje mesmo.
- Não. Se eu sair, e você ficar, pelo menos vou saber onde você está. Vou saber pra onde voltar. Se você sair e eu ficar, eu vou te perder. Não vou saber onde você tá, nem como tá, nem se tá bem. Aqui eu sei que tu fica protegido, e é só isso que eu quero.
- E tu acha que eu não vou sentir o mesmo?
- Eu sei que vai. Mas eu sou egoísta, e além de tudo, eu sei de uma coisa sobre mim que não tenho como saber de você.
- O quê?
- Eu volto.
E calou-se. Fechou a mochila e andou em direção a porta, sem olhar pra trás. Ele ficou sem reação, sem saber o que fazer, se corria ou se chorava, se tentava impedir ou se acenava. Acabou não fazendo, deixando-se levar pela dor de vê-la partir, enquanto deixava-se levar pela esperança, pelas suas últimas palavras. “Eu volto”, ela disse. Então ele acreditaria. E a esperaria, pelo tempo que fosse.
- Você não precisa ir - ele começou, mas foi interrompido antes de poder continuar.
- Ah, eu preciso! Se eu ficar aqui, mais um minuto que seja, vou acabar falando algo, e depois vou me arrepender de ter falado, mas aí eu já vou ter falado, e o estrago terá sido feito, e eu nunca mais serei a mesma, e nem você, e nossas vidas vão mudar, e vai ser o fim.
Ele teve vontade de sorrir. Era incrível como ela falava quando nervosa. Sem pausa, sem nem respirar, só falando, deixando o desespero tomar conta dela e de seus pensamentos. E ele quase sorriu, pois ela ficava mesmo linda falando pelos cotovelos, mas não conseguiu, porque daquela vez ela tentava explicar porque estava indo embora. E ela não podia ir embora, simplesmente não podia.
- Não, não vai. Por favor. Fica aqui, eu vou. Se tu quiser eu saio, eu voo, eu sumo, eu morro, pelo tempo que tu quiser, seja uma semana, um mês, um ano, ou…
- Pra sempre? Não, eu não te quero longe pra sempre. Eu não te quero longe nem por um segundo, entende isso, meu amor. É que agora não dá. Eu preciso sair. Eu preciso brincar que você nunca existiu, pra ver como é que eu sou quando você não tá.
- E dá? Como se brinca de esquecer? E se não for só brincadeira? E se ficar sério? E se você não quiser mais voltar? Como eu fico?
- Você vai ficar bem.
- Não vou…
- Vai sim, amor. Vai sim. E mais que bem, você vai ficar bem aqui.
- Não, não quero. Fica você. Eu arrumo as malas e vou, hoje mesmo.
- Não. Se eu sair, e você ficar, pelo menos vou saber onde você está. Vou saber pra onde voltar. Se você sair e eu ficar, eu vou te perder. Não vou saber onde você tá, nem como tá, nem se tá bem. Aqui eu sei que tu fica protegido, e é só isso que eu quero.
- E tu acha que eu não vou sentir o mesmo?
- Eu sei que vai. Mas eu sou egoísta, e além de tudo, eu sei de uma coisa sobre mim que não tenho como saber de você.
- O quê?
- Eu volto.
E calou-se. Fechou a mochila e andou em direção a porta, sem olhar pra trás. Ele ficou sem reação, sem saber o que fazer, se corria ou se chorava, se tentava impedir ou se acenava. Acabou não fazendo, deixando-se levar pela dor de vê-la partir, enquanto deixava-se levar pela esperança, pelas suas últimas palavras. “Eu volto”, ela disse. Então ele acreditaria. E a esperaria, pelo tempo que fosse.




